Explicar a morte de um ídolo
A morte do jovem actor Francisco Adam chocou todos aqueles que acompanhavam a sua personagem, o «Dino», na telenovela «Morangos com Açucar». E porque esta telenovela é dirigida aos mais novos e há grande identificação com as personagens, as suas titudes, frases e gestos, os pais sentem algumas dificuldades em explicar aos filhos mais pequenos o que aconteceu. O PortugalDiário falou com especialistas que lhe indicam a atitude mais correcta a seguir.
«É preciso que estas crianças separem a realidade da ficção e que percebam que não morreu ninguém de família», refere ao PortugalDiário a pedopsiquiatra Maria José Gonçalves, presidente da Associação Portuguesa de Psiquiatria da Infância e da Adolescência.
São bonitos, divertidos, levam uma vida cheia de emoções e enfrentam os mesmos problemas do jovem vulgar: do conflito de gerações aos desgostos amorosos, passando pelo stress dos testes e pelos apelos da droga e do álcool. São todos protagonistas de uma novela que não anda longe da vida real. Talvez por isso a «geração Morangos com Açúcar» tenha sentido a perda do actor Francisco Adam como se de um familiar próximo se tratasse. Ora, este é o primeiro ponto que interessa desmistificar.
«Explicar rigorosamente o que aconteceu, mas distanciando a realidade da ficção» é a atitude mais correcta para a pedopsiquiatra. A postura dos progenitores deve ser reactiva, isto é, «os pais não devem antecipar-se às dúvidas dos jovens, mas esperar que sejam estes a perguntar», refere a mesma clínica. As idades dos jovens espectadores variam entre os três e os 20 e muitos anos, pelo que a forma como se explica esta morte terá, naturalmente, de ser diferente.
Que a morte do jovem sirva de «paradigma (modelo) às centenas de milhar de jovens que todos os anos morrem nas estradas» é um dos efeitos pedadógicos que a psiquiatra admite poder ser retirado da tragédia.
Mas a ideia de matar a personagem «Dino» de «Morangos Açúcar» num acidente de viação [sugerida por vários espectadores], para dessa forma fazer prevenção rodoviária junto dos mais pequenos, é uma má ideia, na opinião do pedopsiquiatra Daniel Sampaio. «Seria demasiado artificial. As crianças devem fazer o luto daquele actor». Separar a realidade da ficção é uma vez mais a ideia a reter.
Alguns comentários deixados no PortugalDiário e em blogues na internet espelham bem o sentimento dos fãs. «Só quero deixar aqui a minha mensagem e a minha homenagem a ti «Francisco Adam» e para que as outras pessoas pensem bem no que fazem quando pegam num carro e as condições em que o fazem e que se lembrem de ti. para sempre nos nossos corações «Dinomen». força!!! (comentário no «PortugalDiário»)
«Gostava de poder continuar a vê-lo na televisão, mas vai ser muito confuso porque ele já não está entre nós mas continua na televisão em nossa casa» (Mariana) (comentário no PortugalDiário)
«Só queria dizer que tenho uma bebé de 2 nos que adorova o DINO e tenho outra com 12 nos que está farta de chorar pelo nosso amigo e sempre amigo DINO!! SEM TI DINO OS MORANGOS NÃO VÃO SER OS MESMOS» (Paula Lopes, num blog)»
«Gostaria que a produção dos Morangos retratassem tal e qual o que lhe aconteceu, pois assim imortalizam-no e abordam um tema que passa por muitas famílias portuguesas, como as mortes na estrada» (Renato Amorim)(comentário no PortugalDiário)
«Peço neste breve comentário à TVI que não substitua o nosso DINO nos Morangos, mas que o lembrem sempre» (Sónia Ribeiro)(comentário no PortugalDiário). São apenas alguns exemplos.
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Online seit Donnerstag, 20. April, 2006 um 15:46
Geändert am Mittwoch, 25. Juli, 2007 um 13:29